Gilles Lipovetsky apresenta "The New World of Luxury"


O filósofo francês Gilles Lipovetsky esteve no MuBE (Museu de Escultura Brasileira), em São Paulo, para a conferência “The New World of Luxury" (O novo mundo do luxo). Pessoas ligadas ao mercado de luxo se reuniram para assistir à “The New World of Luxury" (O novo mundo do luxo), conferência focada em caminhos para este segmento. Destaque para a apresentação de Gilles Lipovestsky, filósofo francês com livros traduzidos em 18 idiomas e distribuídos em mais de 80 países.
Gilles, expert no assunto, mostrou a sua mais recente tese baseada na “Nova era do Luxo” e falou sobre os seis fatores-chave de sua pesquisa. Confira os highlights:

A "ERA HIPERMODERNA"

O filósofo declara que estamos passando por uma nova era do luxo, a “Era hipermoderna”. “Estamos vivendo a radicalizaçãp do que foi criado no luxo moderno, época anterior a esta”, diz Lipovetsky. A primeira de suas conclusões (ao todo são seis) é a “Pluralidade”, que defende a ideia de não se ter apenas um item poderoso, e sim muitos deles. “Antes ser luxuoso tratava-se de consumir produtos altamente caros. Hoje você pode ir até uma loja de fast fashion e encontrar linhas assinadadas por grandes estilistas. Chamo esta segunda parte de ‘luxo incorporado’”, afirma.

A segunda parte da teoria de Gilles é complementar à primeira e chama-se “Extensão”. “Podemos citar as grifes que criam as segundas linhas, como a estilista Sonia Rykiel ou mesmo a fabricante BMW com os seus carro da série ‘3’. Ter produtos de consumo mais acessíveis não significa que eles sejam menos luxuosos”, diz.

Entre outros exemplos, Gilles também citou as marcas Louis Vuitton e Hermès, que fabricavam apenas itens específicos (Hermès era expert em seleria e a LV só fazia malas) e hoje são grifes altamente desejadas no mundo do prêt-à-porter. No futuro, ele ainda exerga uma gama de produtos licenciados maior. “Estender a marca nunca é prejudicial quando existe o controle dos produtos. Pierre Cardin foi longe demais com o sistema de licenças, não teve o cuidado de ver cada uma delas e acabou perdendo o status de maison de alto nível”.

NÃO FAZER PROPAGANDA É COISA DO PASSADO

A relação de uma marca com o marketing foi a terceira abordagem de Lipovetsky. “O slogan ‘o luxo não faz propaganda’ foi seguido por muitos anos. Hoje as marcas inflam seus lançamentos com publicidade”, afirma. Gilles cita também os desfiles como uma forma de divulgação. Além das apresentações feitas para jornalistas, formadores de opinião e compradores, ele fala sobre aquelas que têm status de show e custam milhões. “Pense no desfile da Fendi feito na China. Foram 10 milhões de dólares gastos para 20 minutos de espetáculo”. Tem luxo maior do que este?

A grande distribuição é o quarto pedaço da tese de Lipovetsky. “A principal característica aqui é o luxo ligado às tendências”, diz comparando ao movimento antigo que era focado em qualidade, exclusividade e criações atemporais. As lojas de grandes grifes aqui ganham destaque. “Antigamente elas eram discretas. Hoje você vê flagship stores assinadas por grandes arquitetos”. Além disso, o crescimento das vendas online também tem grande participação na democratização no luxo atual. “A Hermès, por exemplo, dedica 10% de seus investimentos só na parte online”.

MODA É SINÔNIMO DE LUXO

Luxo e Moda é a quinta fatia da teoria. Essa parte é construída basicamente pela transformação de marcas tradicionais em grifes superfashion. Servem de exemplo as marcas citadas no campo “Estensão”.

Já a sexta parte é a ligação fashion com a arte. “Desde o início do século 20, estilistas se juntam a artistas para criarem. Elsa Schiaparelli era amiga dos surrealistas (se referindo à estilista italiana próxima a Salvador Dalì). Yves Saint Laurent criou o o vestido inspirado em Mondrian”, diz. Atualmente outras marcas convidam artistas para assinarem linhas de roupa. É o caso da recente parceria entre a Louis Vuitton e a japonesa famosa pela padronagem de bolinhas Yayoi Kusama. Vale também lembrar que não só a marca francesa, mas também italianas como a Prada, tem centros dedicados à exposições. “Antes o luxo era associado ao trabalho de um artesão. Hoje ele também pode ser visto através de criações de vanguarda”.

O autor de livros de sucesso como “O Luxo Eterno”, falou sobre o lado do consumidor da era do “Luxo Hipermoderno” – denominação da época que estamos vivendo atualmente, explicada na sua outra apresentação. A conclusão é dividida em três partes. Saiba quais são e entenda cada uma delas:
TRANSFORMAÇÕES

Como diz o nome, a primeira disseminação de Lipovetsky sobre o luxo atual fala da mudança de comportamento do comprador. “Antigamente, os nobres eram obrigados a mostrar suas riquezas através de hábitos e vestimentas. Cada classe social era diferenciada através de, por exemplo, roupas usadas por um grupo”, diz. Hoje, com a democratização do luxo, o filósofo pontua a autonomia de quem compra. “Uma mulher pode usar uma bolsa Hermès e, ao mesmo tempo, vestir um jeans de uma marca como Zara”, comenta o conhecido hi-lo.

Esta fatia também está ligada a falta de fidelidade do homem com relação a uma marca, o que não não significa uma crise no mercado, mas sim a maior opção para quem quer consumir. “O costume antigo de ir sempre a uma loja ou até mesmo a uma costureira acabou. Mas hoje, para fidelizar os clientes, empresas investem em clubes VIP, newsletter e até facilidades para aqueles que compram mais”, comenta as estratégias de apego no mercado atual.
EMOCIONAL X OSTENTATIVO

Apesar de afirmar que o consumo ostentativo será “eterno”, Gilles mostra um novo lifestyle do mercado: o emocional. “Quando se é um novo rico, existe a vontade de mostrar aquilo que tem”, comenta o estilo de vida daqueles que ainda precisam provar que consomem o luxo. Porém, o novo comportamento vai além do superficial, ele privilegia mais o bem-estar e a cultura ao invés de, por exemplo, joias poderosas. “A experiência neste caso é muito mais importante. É só você pensar em bilionários que compram uma viagem para ir ao espaço ou mesmo aqueles que se importam em fazer tratamentos contra rugas ao invés de investir apenas em maquiagem”, comenta.

CAPITALISTA
Dados apontam que 50% da vendas de grandes maisons francesas não vem de clientes fieis, mais sim daqueles que compram ocasionalmente um presente especial para um amigo ou mesmo para um acontecimento importante, como um casamento. Esta parte também está ligada à cultura de viver o agora. “Com terremotos e outros desastres naturais as pessoas estão pensando muito mais no presente do que no futuro”, comenta. Um bom exemplo é a volta ao consumo logo após o tsunami que devastou o Japão em xxx de 2011. “Após três meses do ocorrido, as filiais de grifes francesas no Japão já tinham voltado aos seus faturamentos normais. Se isto não freou as compras no país não sei o que pode fazer as pessoas pararem de consumir no mundo”, diz.

Fonte: Marie Claire

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